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Coisas de Infância #1

Como recordar é viver, decidi recordar coisas de infância, boas e menos boas. Hoje começo com uma coisa da qual não me lembro, mas que me é contada muitas vezes.

Em bebé, estávamos (eu e os meus pais) em casa de uma tia minha, em Mirandela. Para o jantar resolveram fazer Fondue. Até aí, tudo muito bem.

Ás tantas, a minha tia repara que aquilo está a apagar-se e resolve deitar mais liquido, mas como é toda despachada, não o retira do seu lugar, despejando diretamente no recipiente em cima do gás quente (sim, já foi á bastante tempo). Resultado? Aquilo provoca uma chama que sai por baixo, dirigindo-se a um dos lados da mesa. Todos se desviam, mas eu, como estava no colo da minha mãe e não percebia nada de nada, não me podia desviar. A minha tia diz que, quando olha para mim, vê chamas no meu cabelo e os meus olhos muito abertos.

Fui levada para o hospital, sem nunca chorar, e tratada por uma médica que hoje apelido de "cabra", porque o foi. Ela faz-me o penso na orelha esquerda e passa uma receita de um medicamento.

A minha tia e a minha mãe, dirigem-se á farmácia e, por sorte ou porque o meu anjinho estava comigo nesse dia, estava um senhor bastante idoso a ser atendido. Quando ele sai, a minha tia aproxima-se e entrega o papel. Ela diz que a farmacêutica sorri e diz: "Curioso, duas receitas iguais uma a seguir á outra." A minha tia diz que deve haver engano, porque aquele medicamento é para mim, uma menina de um ano.

A farmacêutica ficou branca como a cal, dizendo que iria trocar o medicamento porque, ao darem-me aquele remédio para as dores (e iam dar assim que chegassemos a casa), eu iria adormecer... Mas não iria acordar. Era o equivalente a dar a um adulto uma dose de cavalo.

Hoje não tenho cicatriz alguma, apenas a pele da minha orelha (quando vista com atenção) parece "mais velha" do que a outra, mas nada que se repare á primeira, nem á segunda. Mas agradeço a essa farmacêutica, a qual não sei quem seja, pela atitude que teve e pelo comentário certeiro que fez. Se ela tivesse ficado calada, hoje a Lêh não estaria aqui.

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