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A Descendente

Prólogo

Fiquei a olhá-lo. Ele era alto, de pele morena e cabelo escuro. Olhos negros como a noite. Vestia de preto, um fato de aspeto caro, com uma camisa branca por baixo, rematando o look com uma gravata preta.
Andava de um lado para o outro, á minha frente, com uma expressão pensativa. Se ele soubesse...
Eu estava sentada numa cadeira desconfortável, de madeira, amarrada pelos pés e mãos, de maneira a que não conseguisse fugir por muito que tentasse.
Ele parou na minha frente e olhou-me nos olhos.
- Isto podia ser bem mais fácil se me contasses a verdade. - Disse, com a sua voz sedutora.
Resfoleguei.
- Eu não sei nada daquilo que queres saber. - Respondi. - E, se queres a minha opinião, nem faz muito sentido. Apenas te dá um ar de louco.
Vi a ira passar pelos seus olhos.
- Eu posso...
- O quê? - Interrompi-o. - Chamar a tua superior? Oh, espera. Vais chamar algo melhor. Vais chamar os Arcanjos, essa força temivel, para me arrancarem a verdade. - Sorri. - Lamento desiludir-te, mas ele conseguirão o mesmo que tu. Nada.
Ele endireitou-se ainda mais e fuzilou-me com o olhar. Vi a sua mão desaparecer dentro do casaco e depois algo surgiu. Uma adaga, com uma lâmina de aspeto mortifero e perigosa.
Não consegui aguentar e soltei uma gargalhada, o que o deixou temporariamente confuso.
- Uma lâmina celestial? - Perguntei. - Vais matar-me com isso?
Olhei-o, parando de rir.
- Querido, eu não sou um demónio.
Por momentos, ele ficou calado, observando-me como uma águia observa a sua presa. Fez girar habilmente a lâmina na mão, e depois encostou-a ao meu peito.
- Eu sei o que tu és, não adianta negares. - Disse ele. - E, como tal, irei matar-te lentamente para ter o prazer de te ver gritar e, quem sabe, chorar... Lauren.
Sustive o seu olhar.
- Quem vai chorar és tu, anjinho papudo.
Ele fez pressão com a lâmina no meu peito. Senti dor, mas nada diferente de uma mera faca de cozinha. Ele percebeu-o e franziu o sobrolh, cirando rugas na pele marmórea. Mexeu-se, afastando-se um pouco, enquanto um sorriso se desenhava nos meus lábios. Olhou a lâmina e depois de novo para mim. Sorri ainda mais, e as paredes á nossa volta começaram a tremer, as luzes a piscar, pó a cair do tecto.
- Quem és tu? - Perguntou ele. - O que és tu?
Sorri, baixando um pouco a cabeça, sem nunca deixar de o olhar.
- Um pesadelo em forma de gente.
A divisão rebentou, ao mesmo tempo que o anjo explodia, enchendo o espaço com sangue e pedaços de carne solta, que logo se reduziram a nada. A única coisa que ficou, daquele lindo ser, era a marca das suas asas, queimadas na única parede que permaneceu de pé.

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