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A Lêh e a sua fobia

Decidi falar-vos um pouco de mim (coisa rara na minha pessoa hehehehe, dou opiniões, mas falar, falar, de mim?).

Aqui esta vossa amiga foi vitima de bullying na escola, mas não aquele bullying fisico, a mim atacavam-me o psicológico (sim, foi comprovado). A escola era o meu inferno particular e ninguém acreditava em mim, porque eu sempre fui diferente. Associavam esta minha recusa em ir á escola, ao meu comportamento fechado. Mas houve alguém que realmente perguntou porque eu era assim tããããoooo fechada? Não. Era envergonhada e pronto, era este o juizo final.

Eu finjia que estava doente, não me importava de passar o dia todo na cama, sem poder brincar, se isso significasse faltar á escola. Mais tarde, as faltas começaram a aparecer e a acumular-se, mas nunca chumbei por faltas, justificava-as todas, mesmo que fosse quase no limiar do tempo.

Eu sabia que conseguia ser uma boa aluna, a prova disso foi no curso que tirei, há dois anos, em que tive médias altas, mas naquele momento eu tinha um aproveitamento aceitável, porque não via prazer em estudar. Só de pensar em estudar vinha-me tudo o resto á cabeça.

Conclusão, perguntam vocês. Fiquei com uma fobia social. Fazer chamadas de telemóvel era raro, tremia só de pensar. Atendê-las então... Entrar sozinha num café era um desafio tal, que empalidecia no mesmo lugar. Pedir informações a alguém, ou dá-las? Nem pensar, até fingia não viver aqui. Dizia "não sou de cá". Mas, o que achavam engraçado era que (passo a citar) "a Lêh é tão envergonhada, mas quando falamos para ela, seja o que for, ela brinda-nos com um sorriso enorme, mesmo que esteja de rastos". E sabem de onde vinham a maior parte destes elogios e observações? De pessoas "atormentadas" pelos seus demónios pessoais. Irónico, não?

Mas hoje tudo mudou. Ainda não estou totalmente "curada", mas vou onde tenho de ir, falo o que quero, com quem quero... É diferente. E, ainda por cima, meterem esta vossa amiga no atendimento ao público, ou seja, a fobia teve mesmo de ser esquecida e remetida a segundo plano.

Mas a quem agradeço mesmo, mesmo, mesmo? Quem foi a pessoa que "me curou"? O meu namorado, que é o bicho mais social que já vi.

Nunca esquecerei o inferno que vivi na escola, isso sei com todas as certezas do meu ser, mas aprendi a viver com isso. E sou feliz. E, posso parecer mesquinha, mas sabe ligeiramente bem ver todos os que me meteram abaixo a olharem-me com espanto e (por parte de alguns rapazes) com desejo. E ver que, neste momento, alguns deles não superaram os seus problemas, e eu superei. Mas isso é coisa em que não penso muito. Já não me importo com o que as pessoas pensam. Sou livre e faço o que quero, quem não estiver bem, que se mude. ;)

2 comentários

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    Lêh 12.08.2016 09:10

    Eu só fui tratada assim pelos outros porque era... diferente. Por exemplo, cresci a ouvir rock e um pouco de metal. Na escola, quando nos perguntavam qual a nossa musica preferida, todos os meninos e meninas respondiam coisas como "Atirei o pau ao gato" (por exemplo), eu respondia uma qualquer música dos Metallica, por exemplo, ou dos Nirvana, que foi o que cresci a ouvir. Claro que isto, e outras coisas, despoletou qualquer coisa que fez os outros atacarem-me o psicológico... Mas agroa estou bem e estou mais forte... Mas claro, vou-me abaixo com facilidade em situações sensiveis, mas tento sempre dar a volta por cima.
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